Resposta direta
Marketing médico para um consultório de um médico só se resume a cinco frentes: o perfil do Google, um site com as páginas certas, indicação com método, responder o WhatsApp rápido e trazer de volta quem já veio. As quatro primeiras trazem gente; a quinta é a que a maioria ignora e a que mais rende. Desde março de 2024 a Resolução CFM 2.336/2023 permite divulgar preço, fazer promoção sem venda casada, postar selfie profissional e mostrar antes e depois com condições — e continua proibindo garantir resultado e sensacionalismo. O texto abaixo diz o que cada frente exige, e onde a regra passa.
"Marketing médico" é uma busca grande, e quase tudo que responde a ela vende curso ou agência. Este texto faz outra coisa: diz o que um médico que atende sozinho consegue fazer, com o tempo que tem, dentro do que o Conselho permite — e o que acontece com o paciente depois que o marketing funcionou.
Primeiro, a regra: o que mudou com a Resolução CFM 2.336/2023
A resolução entrou em vigor em março de 2024 e substituiu a anterior, de 2011, que era mais restritiva. O que passou a ser permitido, e com que condição:
- Divulgar preço. Valores de consultas e procedimentos particulares, e formas de pagamento (art. 9º).
- Promoções e descontos. Campanhas promocionais são permitidas; o que continua vedado é venda casada e premiação (art. 9º).
- Selfie e imagem do médico. Autorretrato em ambiente profissional, desde que não caracterize sensacionalismo nem concorrência desleal (art. 8º).
- Antes e depois. Permitido com condições: imagens não manipuladas, paciente não identificável, autorização formal, e acompanhado de texto educativo que fale de indicações, evoluções — satisfatórias e insatisfatórias — e possíveis complicações (art. 13). Sem prometer o mesmo resultado a todo paciente.
- Equipamentos. Anunciar aparelhos com registro na Anvisa, sem atribuir a eles "capacidade privilegiada" (art. 9º).
- Redes sociais. Formar e manter clientela nas próprias redes é permitido; CRM e, quando houver, RQE precisam constar nas páginas principais (art. 6º).
- Pós-graduação. Pode ser divulgada, como pós-graduação — não como especialidade, se não houver RQE.
O que continua proibido:
- Garantir, prometer ou insinuar resultado (art. 11).
- Sensacionalismo: divulgar procedimento para enaltecer o médico, ou usar imagem de forma que induza garantia de resultado.
- Método ou técnica sem reconhecimento do CFM.
- Venda casada e sorteio.
Dois avisos honestos. Primeiro: isto é um resumo para orientar, não parecer jurídico — a resolução tem detalhes e o Conselho do seu estado é quem fiscaliza. Segundo: "permitido" não é "recomendado". Divulgar preço, por exemplo, é permitido e costuma ser bom para o paciente; sortear consulta é proibido e seria ruim mesmo que não fosse.
As cinco frentes, na ordem em que valem a pena
1. O perfil do Google (antes do site)
Quem procura "endocrinologista em [bairro]" vê o mapa antes de qualquer site. Perfil completo — especialidade, CRM, endereço, horário, telefone, fotos do consultório, avaliações respondidas — é a frente de menor custo e maior alcance local que existe. O texto sobre site ou Google Meu Negócio primeiro entra no detalhe.
2. Um site com as páginas certas
Não um site grande: um site com o que a pessoa procura antes de marcar — quem atende, o que atende, onde, como marcar, e o preço, agora que pode. Página de "sobre" com CRM e RQE visíveis, uma página por tipo de consulta, e um caminho de contato que funciona no celular (o WhatsApp, quase sempre).
3. Indicação com método
A maior parte dos pacientes de consultório vem de indicação, e a maior parte dos consultórios trata isso como sorte. Método é: perguntar de onde a pessoa veio, registrar, e agradecer a quem indicou. O texto sobre indicação com método tem o roteiro.
4. Responder o WhatsApp rápido
É aqui que o marketing médico costuma falhar sem que ninguém perceba. O contato que o perfil do Google ou o anúncio trouxe chega no WhatsApp — às 20h, no meio da consulta, no sábado — e se ninguém responde em poucas horas ele procurou outro consultório. Toda frente acima termina numa mensagem, e a mensagem sem resposta apaga o trabalho das outras.
Para um médico só, isso significa que quem responde o WhatsApp não pode ser você entre um paciente e outro. Ou é uma pessoa, ou é uma IA — e as duas precisam saber parar quando a pergunta é clínica.
5. Trazer de volta quem já veio
A frente que ninguém chama de marketing e que mais rende: o paciente em acompanhamento que devia voltar em três meses e não voltou. Ele já confia em você, já sabe onde fica o consultório, e só precisava de um lembrete. Retorno em dia é o marketing mais barato que existe, e é o que separa um consultório que cresce de um que só gira.
O que não vale a pena (para um médico só)
- Produzir conteúdo todo dia. Consome o tempo que você não tem e raramente traz paciente local. Se for produzir, produza pouco e bem — o texto sobre autoridade sem conteúdo diário explica.
- Anúncio antes de resolver o WhatsApp. Anúncio traz contato; contato sem resposta é dinheiro jogado fora. Primeiro a resposta, depois o anúncio.
- Prometer o que a resolução proíbe. "Resultado garantido", "o melhor da cidade", antes e depois sem as condições. Além de infração, é o tipo de promessa que o paciente cobra na cadeira.
O que acontece depois que o marketing funcionou
Todo esforço acima produz a mesma coisa: uma mensagem no WhatsApp. O que decide se ela vira consulta é a resposta, o lembrete da véspera, e o retorno três meses depois.
Na ClinistIA, a IA atende o WhatsApp do consultório no seu número — responde valor, convênio, preparo e horário como você configurou, marca na agenda lendo a disponibilidade real, confirma a véspera e lembra o retorno de acompanhamento no prazo de cada tipo de consulta. Pergunta clínica interrompe a IA e vai para você. E a origem de cada paciente (Google, indicação, Instagram, anúncio) fica registrada, com a taxa de agendamento e de comparecimento por origem — que é como você descobre qual das cinco frentes está trazendo gente de verdade.
Pesquisa e revisão editorial
Texto originalmente elaborado: 7 de setembro de 2026 · Última revisão factual: 7 de setembro de 2026
O resumo da Resolução CFM 2.336/2023 foi feito a partir do texto publicado pelo Conselho Federal de Medicina e da página "O que muda" do portal de publicidade médica do CFM, consultados em setembro de 2026; a resolução entrou em vigor em março de 2024. Os artigos citados (6º, 8º, 9º, 11 e 13) são os indicados por essas fontes. Este texto é um resumo para orientar, não parecer jurídico — em dúvida, consulte a resolução na íntegra e o CRM do seu estado. Nenhum número de mercado é citado aqui de propósito.