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Operação clínica

Como saber se o mês foi bom sem abrir planilha

2 de setembro de 20267 min de leituraPor ClinistIA
MétricasFaturamentoGestão

Resposta direta

Compare quatro coisas com o mês anterior: quantos procuraram, quantos marcaram, quantos compareceram, quanto do orçado virou tratamento.

Faturamento é o resultado das quatro. Ele avisa que o mês foi pior; essas quatro dizem em qual delas o mês foi pior — e cada uma pede uma ação diferente.

"Foi um mês bom?" é a pergunta mais frequente do dono de consultório e a mais mal respondida, porque quase todo mundo responde olhando o extrato.

Por que o faturamento engana

Ele mistura coisas que aconteceram em momentos diferentes. O dinheiro que entrou este mês pode ser de um tratamento aceito há três meses; o tratamento aceito esta semana só aparece no caixa daqui a sessenta dias.

Resultado: você comemora um mês que foi construído no trimestre passado, ou se assusta com um mês em que a operação foi ótima e o caixa só ainda não chegou.

As quatro comparações

O que cada comparação responde, e a quem endereçar.

CritérioSe caiuOnde mexer
Pessoas novas que procuraramMenos gente chegandoFora do consultório: indicação, presença local, anúncio
Quantas marcaramChegam e não marcamAtendimento: tempo de resposta e clareza de valor
Quantas compareceramMarcam e não vêmConfirmação, lembrete e distância até a data
Orçado que virou tratamentoPropõe e não fechaComo o orçamento é entregue e acompanhado

Note que nenhuma das quatro é "faturamento". Elas são o caminho — e é sempre em um trecho do caminho que o mês foi diferente.

Contra o que comparar

O seu mês anterior. É a comparação mais imediata e a mais enganosa isolada, porque carrega feriado, férias e sazonalidade.

O mesmo mês do ano passado. Corrige sazonalidade e é a mais honesta quando existe histórico.

A sua média dos últimos três meses. Suaviza o ruído de um mês curto ou com muita falta.

Média de mercado não entra na lista. Especialidade, bairro, preço e tempo de casa mudam tanto os números que a comparação externa vira ruído com aparência de referência.

O ritual de dez minutos

Fechamento mensal de um consultório pequeno

  • Anote os quatro números do mês.
  • Coloque ao lado os do mês anterior e os do mesmo mês do ano passado.
  • Circule o que mudou mais de 20%.
  • Escolha um — só um — para agir no mês seguinte.

O último passo é o que faz o ritual sobreviver. Um plano com quatro frentes num consultório de uma pessoa é um plano que não acontece.

O quinto número, que não é do mês

Quantos pacientes concluíram tratamento e não voltaram. Ele não pertence ao mês corrente — pertence ao estoque —, e é o mais barato de acionar, porque são pessoas que já confiam em você.

Em muitos consultórios, um mês fraco se resolve com meia hora chamando quem terminou seis meses atrás.

Perguntas frequentes

Como avaliar se o mês do consultório foi bom?
Compare quatro coisas com o mês anterior: quantas pessoas novas procuraram, quantas marcaram, quantas compareceram e quanto do que foi orçado virou tratamento. Faturamento é a consequência dessas quatro, e olhar só ele diz que o mês foi pior sem apontar onde.
Comparar com a média do setor ajuda?
Pouco. Consultório de bairro, especialidade, preço e maturidade mudam tanto os números que a média do setor vira ruído. A comparação que decide é com o seu próprio mês anterior e com o mesmo mês do ano passado, que já corrige sazonalidade.
Faturamento caiu mas atendi mais gente. O que aconteceu?
Normalmente uma de três coisas: o ticket médio caiu, mais atendimento foi de retorno incluído em pacote, ou o mês teve mais avaliação e menos tratamento. As três têm leituras diferentes, e nenhuma delas aparece no total — é por isso que o total sozinho não serve como diagnóstico.
Com que frequência revisar os números?
Uma leitura mensal para decidir e uma semanal para consertar. A semanal olha só duas coisas: contato sem resposta e orçamento parado, que ainda dão para recuperar dentro do mês. O resto pode esperar o fechamento.

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